Capítulo 9: Perguntas frequentes e mitos sobre a alulose
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A alulose é um adoçante artificial ou natural?
A alulose é um monossacarídeo de origem natural, que ocorre em pequenas quantidades, por exemplo, em figos, passas, açúcar mascavado e xarope de ácer.
Comercialmente, é produzida habitualmente por via enzimática, a partir de matérias-primas vegetais (por exemplo, frutose derivada de milho ou trigo).
Embora a produção seja um processo industrial, a molécula em si é natural; não é um poliol (álcool de açúcar) nem um adoçante artificial.
Por isso, a alulose pode ser classificada entre os adoçantes naturais, ao contrário da sucralose, do aspartame ou de outros adoçantes sintéticos.
Quão seguro é o consumo de alulose? Tem efeitos secundários?
A alulose é um ingrediente alimentar classificado como "geralmente reconhecido como seguro" (GRAS) nos Estados Unidos (FDA), no Japão, na Coreia do Sul e em muitos outros países.
De acordo com estudos científicos, a alulose não aumenta os níveis de açúcar no sangue nem de insulina, não acarreta riscos significativos para a saúde e é um adoçante seguro para a maioria das pessoas.
Efeitos secundários
Consumida em maiores quantidades (geralmente acima de 0,4 g/kg de peso corporal por dia), pode causar inchaço, dor abdominal ligeira, diarreia ou flatulência, mas estes sintomas são, tipicamente, temporários e ligeiros.
A tolerância à alulose é, geralmente, melhor do que a dos polióis (ex.: eritritol, xilitol), mas a moderação é importante.
A alulose ajuda realmente na perda de peso e no controlo dos níveis de açúcar no sangue?
Experiências com animais e pequenos estudos em humanos sugerem que a alulose pode contribuir para a redução do peso corporal e da gordura abdominal, e pode melhorar o controlo dos níveis de açúcar no sangue.
A alulose não aumenta os níveis de açúcar no sangue; pelo contrário, alguns estudos indicam que reduz os picos de açúcar e de insulina pós-prandiais, o que pode ser benéfico para diabéticos e pessoas que sofrem de resistência à insulina.
Vários mecanismos podem desempenhar um papel no apoio à perda de peso
Baixo conteúdo calórico (aprox. 0,2–0,4 kcal/g, em comparação com as 4 kcal/g do açúcar).
Não aumenta os níveis de açúcar no sangue, pelo que não estimula a produção de insulina.
Em experiências com animais, reduziu a quantidade de gordura visceral (abdominal) e aumentou a queima de gordura.
Contudo, é importante realçar que o número de estudos em humanos ainda é limitado, pelo que são necessários estudos a longo prazo com um maior número de participantes para tirar conclusões definitivas.
Em que difere a alulose dos polióis e dos adoçantes artificiais?
Polióis (ex.: eritritol, xilitol)
Estes são absorvidos total ou parcialmente, mas não são completamente metabolizados, causando frequentemente inchaço e diarreia.
A alulose não é um poliol, mas sim um monossacarídeo que o organismo absorve, mas que não converte em glicose, pelo que o seu teor calórico é baixo e causa menos problemas digestivos.
Adoçantes artificiais (ex.: aspartame, sucralose)
Estes são compostos sintéticos que são centenas de vezes mais doces do que o açúcar e não têm valor nutricional.
Pelo contrário, a alulose é um açúcar de origem natural, cujo poder adoçante é de cerca de 70% do da sacarose e tem um conteúdo calórico (embora mínimo).
A alulose é adequada para todos? Quem pode consumi-la?
A alulose é, geralmente, segura para a maioria dos adultos saudáveis, diabéticos, pessoas com excesso de peso, pessoas em dieta e para quem segue uma alimentação com baixo teor de hidratos de carbono ou cetogénica.
Também é provavelmente segura para crianças, grávidas e lactantes, mas, como acontece com qualquer novo ingrediente alimentar, recomenda-se que consultem um médico antes de a consumirem regularmente.
Qual é a quantidade diária recomendada? Pode haver sobredosagem?
A FDA não estabeleceu um limite máximo rigoroso, mas os especialistas sugerem que o consumo de 0,4 gramas de alulose por quilo de peso corporal por dia é seguro; por exemplo, para um adulto de 70 kg, isto equivale a cerca de 28 g/dia (6 colheres de chá rasas).
O consumo de quantidades superiores a esta pode aumentar o risco de problemas digestivos, mas não se conhecem riscos de envenenamento ou riscos graves para a saúde.
Em que alimentos se encontra a alulose em forma natural?
A alulose ocorre naturalmente em pequenas quantidades em figos, passas, jaca, açúcar mascavado, xarope de ácer e nalgumas outras frutas.
No entanto, a sua quantidade nestes alimentos é ínfima, pelo que a alulose comercializada é produzida a partir de matérias-primas vegetais, através de conversão enzimática.
A alulose causa cáries?
Não. A alulose não alimenta as bactérias da cavidade oral, não acidifica o pH da boca, pelo que não contribui para o desenvolvimento de cáries – ao contrário do açúcar tradicional. Por isso, pode ser considerada um adoçante amigo dos dentes.
A alulose afeta a digestão ou a flora intestinal?
A alulose é bem tolerada pela maioria das pessoas, mas, em maiores quantidades, pode causar ligeiros desconfortos digestivos (inchaço, diarreia, flatulência).
O seu efeito a longo prazo na flora intestinal ainda é pouco conhecido, mas, segundo os dados atuais, não causa desequilíbrios significativos e não acarreta problemas semelhantes aos dos polióis.
A alulose é permitida em todos os países?
A alulose é um ingrediente alimentar e adoçante permitido nos Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Austrália e alguns outros países (estado GRAS).
Na União Europeia, porém, ainda não é permitida em todo o lado, uma vez que, como novo ingrediente alimentar, é necessário um processo de autorização específico.
A sua disseminação é crescente, e a regulamentação pode variar de país para país.

Tem mesmo o mesmo sabor que o açúcar? Tem algum sabor residual?
O sabor e a textura da alulose são muito semelhantes aos do açúcar tradicional; não tem um sabor residual amargo ou refrescante, como muitos outros adoçantes.
Por isso, é particularmente apreciada por aqueles que procuram uma alternativa o mais semelhante possível ao açúcar.
É mesmo um "açúcar milagroso"? Existem afirmações exageradas sobre a alulose?
Embora a alulose tenha muitas vantagens (baixas calorias, índice glicémico zero, sabor semelhante ao açúcar, amiga dos dentes, boa tolerância digestiva), é importante salientar que não é um "açúcar milagroso".
Não substitui uma dieta saudável e equilibrada, nem é um remédio milagroso para a perda de peso ou para o tratamento da diabetes – pode ser apenas uma ferramenta numa alimentação consciente.
Que ideias erradas comuns circulam sobre a alulose?
• "A alulose é um adoçante artificial." – Não é verdade; é um açúcar de origem natural.
• "A alulose é perigosa ou tóxica." – Segundo provas científicas, é segura para a maioria das pessoas, se consumida com moderação.
• "A alulose causa problemas digestivos a toda a gente." – A maioria das pessoas tolera-a bem, mas, em grandes quantidades, pode causar problemas ligeiros, tal como muitos outros adoçantes.
• "A alulose não tem calorias." – Não é verdade; contém cerca de 0,2–0,4 kcal/g, o que corresponde a um décimo das calorias do açúcar.
• "A alulose pode ser usada livremente em todos os países." – Não é verdade; a autorização varia de país para país.
A que devemos estar atentos ao comprar e usar alulose?
• Compre sempre de uma fonte fiável e certificada.
• Introduza-a gradualmente na sua alimentação, observando as reações do organismo.
• Não ultrapasse a quantidade diária recomendada.
• Pode ser utilizada para cozer, cozinhar, em bebidas, cremes, molhos e doces, uma vez que é termostável e dissolve-se bem.
Resumo
A alulose é um adoçante promissor, de origem natural e baixo teor calórico, que apresenta diversas vantagens em comparação com o açúcar e outros adoçantes.
Embora o seu consumo seja geralmente seguro, a moderação e a informação consciente são fundamentais.
A alulose não é um produto milagroso, mas pode ser uma ferramenta valiosa numa alimentação consciente e saudável, desde que os consumidores estejam cientes das suas reais vantagens, limitações e das ideias erradas mais comuns.